terça-feira, 29 de maio de 2012

O DIA QUE SÃO PAULO PAROU: A FARSA DA SEGURANÇA PÚBLICA

Foto: Reprodução
Após seis anos dos ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado de São Paulo, ainda restam algumas perguntas sem respostas. O Estado, através da Secretária de Segurança Pública, nega falhas. A sociedade, principal vítima, vive amedrontada com medo  de um novo episódio, depositado o medo entre a facção criminosa e a segurança pública, numa briga entre poderes, no qual bandido e mocinho dividem os mesmos papéis.

Em maio de 2006 o Estado de São Paulo viveu tempos de terror em pleno ano de eleição presidencial e estadual. Naquele ano o então governador do Estado, Geraldo Alckimin renunciava seu cargo como governador do Estado para concorrer a presidência da república, disputada com o ex-presidente Lula. Em seu lugar, assumia o cargo o professor Claudio Lembo, vice de Alckmin, para governar o maior Estado do Brasil.

Naquele ano, em meio a corrida eleitoral, o PCC já tramava há algum tempo uma ação que chamasse a atenção da sociedade para a situação do sistema carcerário do país. Com o apoio e treinamento do preso político chileno Maurício Norambuena, ex-colega de penitenciária de Marcola, atual líder da facção, o Primeiro Comando da Capital viu naquele cenário o momento oportuno para dar inicio ao que ficou conhecido como – O dia que São Paulo parou – o maior ataque da historia do Brasil do crime organizado. Do dia 12 de maio até o dia 15 daquele mês cerca de 251 ataques contra o poder público foram registrados, segundo dados da Secretária de Segurança Pública do Estado. Dentre os ataques, 82 de ônibus foram incendiados, bases da PM e do Corpo de Bombeiros foram metralhadas, 46 mortos entre PM’s e agentes penitenciários, além de 73 presídios em rebelião simultânea no país.

Segundo o capitão da polícia militar de São Paulo, Moisés do Nascimento, a policia não havia informações de que haveriam ataques da facção no Estado, o que agravou a situação. Muitos policiais estavam de férias, outros estavam de folga naquele final de semana, esses foram surpreendidos com suas casas invadidas por bandidos e assassinados na frente de suas famílias. Com isso, na tarde de sábado, dia 13 de maio, a PM cancelou todas as férias e folgas da corporação, e todos foram para as ruas na tentativa de controlar o caos que havia se instalado em toda São Paulo. Moisés completa dizendo que ao ver seus colegas e amigos pessoais morrendo assassinados pelo PCC, foram para as ruas com todo o gás que a situação exigia, tentando de diversas táticas acabar com os ataques.

Segundo informações da Secretária de Segurança Pública, os ataques se deram devido a transferência de 12 líderes do PCC para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau durante o feriado de dias das mães. O que causou revolta dentro dos presídios e a reação da facção. O secretário da Administração Penitenciária, da época, Nagashi Furukawada, não voltou atrás da decisão de transferência dos presos o que só agravou a situação. 

O governador interino Claudio Lembo recusou a ajuda da governo federal com o apoio através da Força Nacional, homens treinados para agir em situações de extrema insegurança pública. A atitude do governador foi criticada pela sociedade civil e pela imprensa, que o chamou de irresponsável.

Na tarde de domingo, 14 de maio, após uma reunião em sala fechada no presídio de Presidente Venceslau, chegaram ao fim os ataques do PCC no Estado. Participaram da reunião o líder da facção, Marcola, a advogada do PCC, o comandante da PM Ailton Araújo Brandão; o corregedor Antônio Ruiz Lopes, representante da SAP (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária); e o delegado da Polícia Civil José Luiz Cavalcante. O governador e os representantes da polícia estadual negaram qualquer acordo com o PCC para cessar os ataques.

Ao todo, 493 pessoas morreram entre os dias 12 e 15 de maio de 2006, vítimas do conflito entre o crime organizado e a policia. Segundo o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública e as entidades de direitos humanos, a maioria dos crimes registrados foram causados devido a forma truculenta de reação da PM. A maioria dos civis mortos naquele período não tinham passagem pela polícia e até hoje apenas uma família de vítima foi indenizada pelo Estado.

Por: Vagner Francisco Vital dos Santos - RA: A15398-5
Grupo: PCC

COMO SURGIU O PCC

Foto: Reprodução
O Primeiro Comando da Capital – PCC foi criado em 31 de agosto de 1993, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté (130 km de SP), conhecido como Piranhão. Durante uma partida de futebol, oito presos resolveram batizar o time deles como Primeiro Comando da Capital.

Misael Aparecido da Silva, o Misa, Wander Eduardo Ferreira, o Cara Gorda, Antonio Carlos Roberto da Paixão, o Paixão, Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías Esquisito, Ademar dos Santos, o Dafé, Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Feio, César Augusto Roris da Silva, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião, foram escalados para defender a camisa do PCC e começar a organizar a facção, que dizia ter sido criada para "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista”.

Enquanto o time da capital estava em quadra, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra  estavam em uma cela separada, confinados.
A repórter Fátima Souza, que na época trabalhava para a TV Bandeirantes, fez várias matérias denunciando a existência do PCC. As autoridades, no entanto, negavam todos os dados da repórter dizendo que nenhuma facção criminosa existia nos presídios.

Em fevereiro de 2001, Sombra tornou-se o líder mais expressivo da organização ao coordenar, por telefone celular, rebeliões simultâneas em 29 presídios paulistanos. A megarrebelião foi amplamente noticiada pela mídia (inclusive internacional) e deixou um saldo de 16 presos mortos.  Cinco meses depois, Sombra foi assassinado por cinco membros da facção, numa disputa interna pelo comando geral do PCC. Enquanto tomava banho de sol na quadra do Piranhão ele foi espancado até morrer.

Com o assassinato de Sombra, Geleião e Cesinha assumiram a liderança e passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos. Só então as autoridades da PM e da Secretária de Segurança Pública passaram a admitir a existência da facção.

Considerados radicais por uma outra corrente do PCC, mais moderada, Geleião e Cesinha foram depostos da liderança em novembro de 2002, quando Marcola assume de vez o grupo. Além de depostos, foram jurados de morte sob a alegação de terem feito delações à polícia.

Para conseguir dinheiro para o caixa da facção, os membros do PCC exigem que os integrantes presos do grupo paguem uma taxa mensal de R$ 50; os que estão em liberdade, R$ 500. O dinheiro é usado para comprar armas e drogas, além de financiar ações de resgate de presos ligados ao grupo.

Para se tornar membro do PCC, o criminoso precisa ser "batizado", ou seja, apresentado por outro que já faça parte da organização e que se responsabilize por suas ações junto ao grupo. Todos têm de cumprir um estatuto, redigido pelos fundadores reunidos no Piranhão, em 1993, com 16 itens.

Por: Ricardo Aguiar - RA: A0654G3
Grupo: PCC

SÃO PAULO SOB AMEAÇA

Foto: Reprodução
Super lotação, insalubridade, condições desumanas, tortura e desrespeito fomentaram a criação da maior facção criminosa do estado de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital.

Logo, o estado criou as circunstâncias para o surgimento do PCC, que vem crescendo e se fortalecendo na capital desde 1993.

Segundo o Observatório de Segurança Pública do Estado, um em cada 262 adultos está na cadeia no Brasil. São Paulo, a maior cidade do país tem um terço dos detentos. Entre 1995 e junho de 2011, a taxa de encarceramento brasileira quase triplicou. É a terceira maior entre os dez países mais populosos.

Após os “crimes de Maio”, quando 74 unidades prisionais de São Paulo entraram em rebelião simultaneamente, o governo anunciou uma ampliação no sistema carcerário. Em 2008, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) planejou a inauguração de 49 unidades prisionais até 2011. Sendo que, apenas três foram cumpridas até fevereiro daquele ano.

Seis anos após a maior onda de violência que São Paulo viveu, as pessoas encarceradas no estado continuam sendo submetidas a condições desumanas.

Enquanto isso, o Estado investe pouco na Defensoria Pública do Estado, o que seria uma política efetiva, barata e imediata para melhorar a situação nas cadeias públicas.
Criada em 2005 para defender os presos que não podem custear um advogado, a instituição conta hoje com 500 defensores públicos para atuar em todas as áreas judiciais do estado de São Paulo.

A falta de vagas no sistema carcerário não é o principal problema, para o coordenador do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria, Patrick Cacicedo, “Eu discordo da tese da construção de novos presídios, pois ela legitima um irracional encarceramento. A questão está em limitar esse encarceramento”.

Além das condições precárias em que os presos vivem, as unidades prisionais vivem rodeadas de irregularidades e corrupção. São vários os escândalos envolvendo vendas de fugas, irregularidades em obras, tráfico de drogas e facilitação da entrada de aparelhos eletrônicos nas penitenciárias.

A segurança pública e o sistema carcerário de São Paulo continuam extremamente vulneráveis a ataques letais, como o de 2006.  Algumas unidades prisionais, inclusive, encontram-se mais superlotadas do que estavam em maio daquele ano. Segundo dados da SAP, as unidades que se rebelaram naquela época estavam com o grau de lotação de 147%, hoje estão superlotadas em 195%.

Enquanto não sanarmos os muitos problemas do nosso sistema carcerário, continuamos a mercê de uma facção criminosa que se diz fazer o que estado deveria: garantir os direitos dos presos.

Por: Adriana de Luca Gouvea - RA: A106812
Grupo: PCC

ENTREVISTA COM GUILHERME PORTANOVA, REPÓRTER SEQUESTRADO PELO PCC

Foto: Reprodução

Em meados de maio de 2006, ocorreu na cidade de São Paulo uma das maiores manifestações do crime organizado. O PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa de maior expressão da cidade, iniciou uma série de ataques contra as polícias Civil e Militar.

Após diversos ataques no mês de maio, em agosto do mesmo ano o repórter da Rede Globo de Televisão, Guilherme Portanova foi sequestrado em São Paulo, em uma padaria localizada na Av. Luis Carlos Berrini, zona sul de São Paulo, nas proximidades  da TV. Juntamente com ele, foi sequestrado um auxiliar técnico da Rede Globo, Alexandre Calado.

E como a sociedade ainda busca respostas com explicações contundentes para as ações do PCC naquele dado momento, nosso grupo se encontrou com o repórter Guilherme Portanova em Brasília, DF para entender o que aconteceu durante seu seqüestro. 

O sequestro foi atribuído à facção criminosa PCC. Alexandre Calado foi libertado na madrugada de sábado para domingo e a condição para a libertação de Portanova foi à exibição de uma gravação com as exigências dos bandidos para a melhoria do sistema penitenciário. A condição foi prontamente atendida pela rede de televisão.

Guilherme contou detalhes das 40 horas de sequestro e dos três cativeiros que passou durante o tempo em que ficou em poder dos seqüestradores. A conversa foi fluindo e o repórter contou que não tinha ideia de onde estava, mas sabia que durante o percurso para o cativeiro percorreu cerca de 40 minutos e que onde estava se tratava de uma mata fechada, pois durante o segundo dia de sequestro os seqüestradores o deixaram tirar as vendas, sem a presença dos mesmos.

“Eu não fui agredido e fui alimentado o tempo todo”, disse Portanova durante a entrevista.

Guilherme comentou que não passou por sua cabeça que seria solto, mas sim que eles o matariam após conseguirem ou não o que solicitaram. Os seqüestradores sempre falavam que ele seria colocado no microondas (queimado dentro do porta malas de um carro) e ele sempre afirmava que não tinha nada contra eles e que no mínimo merecia uma morte de soldado, com um tiro na cabeça de capuz. 

“Ali, naquele momento, eles sentiram talvez que tivessem concluído o serviço deles e resolveram me soltar,” conclui Guilherme.

O seqüestrador que liberou Guilherme confessou a ele que sabia que seu tempo de vida era curto, mas precisava do dinheiro, por isso estava fazendo isso. Pediu desculpas, pois sabia que esse fato iria fazer parte de toda sua vida.

Em dado momento Guilherme comenta que quando foi solto, só pensava em ver sua família e amigos, para avisar que estava bem. Não hesitou em dar entrevistas após o sequestro, pois sabia que muitas pessoas queriam saber o que aconteceu.

Confira essa entrevista na integra na apresentação do TCC do curso de jornalismo.

Por: Adriana Ferraz - RA: A02HCE-4
Grupo: PCC

EM NOITE COM CHUVA, OS PILOTOS ARRANCAM NA RETA DO AUTÓDROMO DE INTERLAGOS

Público é castigado pela chuva, mas não abandona o evento

Preparação dos carros para mais uma arrancada
Foto: Nelson Paliarussi

No último dia 21 de abril, o Autódromo José Carlo Pace, mais conhecido como Autódromo de Interlagos, recebeu mais uma etapa do racha noturno. Em umanoite chuvosa os carros despejaram potência na reta dos boxes do circuito, derraparam, e tracionaram de tal forma em que a traseira dos carros arrancou em forma de “s”.

Durante as disputas, o público teve que se locomover da área descoberta das arquibancadas, localizada no começo da reta dos boxes, para a área coberta, no meio da reta, por conta do mal tempo. As instalações não estavam bem colocadas, quanto menos sinalizadas, devido as reformas para ampliação das arquibancadas, devidoao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, que ocorre em novembro deste ano

O evento é aberto para qualquer competidor, desde que este passe por uma inspeção de segurança do veículo e pague a taxa necessária. Os carros arrancam na reta principal da pista, porém a disputa é feita nos primeiros 200 metros da reta.Os carros são divididos por categorias, tração traseira e tração dianteira, que vão se enfrentando em etapas eliminatórias, até que as categorias se cruzam e começa a disputa pelo melhor da noite.

O público acompanha as disputas da arquibancada, com exceção nos dias de treino oficial, em que os espectadores ficam a beira do pit-lane (muro junto a reta, na qual ficam as equipes nas disputas de Fórmula 1, por exemplo) e podem ver os carros passando bem à sua frente. Os boxes ficam abertos, o público pode interagir com os competidores e olhar de perto os carros, que ficam expostos com os capôs abertos.

A um custo de R$15,00 o ingresso e R$20,00 o estacionamento, dentro do autódromo, a diversão é garantida e o cheiro de etanol exalando do motor turbo é reconhecido a uma distância considerável. As etapas ocorrem em média uma vez por mês, com treinos livres intercalando os eventos.O racha é legal e tem o apoio da Prefeitura de São Paulo, CET e Polícia Militar, já que é um evento que ajuda a acabar com os rachas de rua.

Por: Nelson Paliarussi - RA: A110DA-6
Grupo: "Autódromo de Interlagos"

VII MIL MILHAS BRASILEIRAS 1966

A história de uma das mais fantásticas corridas do Autódromo de Interlagos


Voltemos no tempo, para 19 de agosto de 1966, o Autódromo de Interlagos ainda possuía seu traçado original de 7.960 metros e ainda não se chamava José Carlos Pace porque neste dia, há 46 anos, ele estava na pista, junto com outras lendas como Bird Clemente, Luiz Pereira Bueno, Wilson e Emerson Fittipaldi.

Os pilotos correram mais de 14 horas a bordo de carros como Malzoni DKW, Karmann-Guia com motores Porsche, carreteras com motor Corvette e Willys Alpine,em busca do monumental troféu de um metro e oitenta que trazia a inscrição “Glória Imortal aos Vencedores da Mil Milhas Brasileiras”.

A largada foi dada, com trinta minutos de atraso, às 22 horas e 30 minutos. Na época fizeram ao estilo “Le Mans” (a corrida mais clássica do automobilismo mundial que ocorre na França desde 1923), com os pilotos correndo dos boxes em direção aos carros estacionados na reta, ligando e saindo com pé embaixo.

Em 1966, as coisas eram bem peculiares, tanto que os Vemag tiveram problemas para ligar, pois utilizavam motor dois tempos (parecidos com os de mobilete ou cortadores de grama, que misturam o óleo junto com a gasolina) que, somado a um tipo de óleo, necessitava que os carros fossem literalmente “chacoalhados” para pegar, para desespero dos pilotos.

Nas primeiras voltas os carros mantinham um ritmo forte para uma corrida de longa duração, com os líderes fazendo voltas em de 3min54s, com média de velocidade em 122,46 km/h, lembrando, no traçado antigo, com mais subidas, descidas e muito menos segurança, dos carros e da pista.
Durante á noite, não se via mais nada a não ser os faróis dos carros e um problema começou a surgir. O asfalto, recém colocado, começou a se soltar e quebrar os para brisas dos carros.

Ao surgir do Sol, as condições do asfalto eram tão precárias que alguns carros já haviam parado por problemas mecânicos, principalmente de suspensão. Na liderança, o Karmann-Guia de José Carlos Pace e Antônio Porto Filho, perdia a quarta marcha e o Malzoni DKW de Emerson Fittipaldi e Jan Balder começava a tirar a diferença.
Após 12 horas de corrida, os pilotos enfrentavam o asfalto podre, todos os problemas mecânicos possíveis e ainda lutavam com o próprio cansaço. Mesmo assim a disputa pelas posições era intensa e a corrida seguia em alto nível.

O final da corrida foi espetacular. O DKW de Emerson seguia firme na frente com Jan Balder ao volante, mas a carreteira Chevrolet de Camilo Christófaro e Eduardo Celidônio se aproximava com ritmo forte. Foi dada sinalização para Balder aumentar o giro do motor nas trocas de marcha para “fugir” do carro guiado por Celidônio.

Há apenas quatro voltas do fim (14 horas depois da largada), o motor dois tempos do DKW perdeu um dos cilindros e começou a se arrastar na pista. A carreteira de Celidônio passou pelo carro moribundo, mas não se sabia quanto combustível ainda havia no tanque.

Torcedores nas arquibancadas, barrancos, boxes e onde mais fosse, até na beira da pista, vibravam, torciam e se emocionavam com a disputa, quando o DKW parou no boxe e, sem poder desligar o motor, o mecânico trocou as velas de ignição enquanto tomava choques, já que o carro não podia ser desligado. A corrida parecia perdida para Emerson e Balder.

Celidônio com a corrida “ganha”, vinha pela reta dos boxes quando viu seus mecânicos sinalizando: o combustível não daria para completar a prova.

Ele parou no boxe, fez o reabastecimento deu a partida e... nada, o carro não pegava enquanto o DKW guiado por Balder apontava na reta dos boxes à três voltas do final e mais uma vez com um cilindro faltando. Em uma segunda tentativa a carretera saiu dos boxes em segundo lugar.

Balder tirava o máximo que podia dos dois cilindros restantes, mas não foi o bastante, nas ultimas curvas Celidônio ultrapassou e recebeu a bandeirada depois de intensas 14 horas 30 minitos e 30 segundos. Balder arrastando o carro até a linha de chegada ainda foi ultrapassado por outro DKW pilotado por Marinho Camargo na última curva.

No pódio Emerson Fittipaldi, com apenas 19 anos, chorava, mas Celidônio dizia profeticamente: “Não chora, garoto. Vocês fizeram uma grande prova e você ainda vai vencer muitas corridas em sua vida”.

Resultado final:

1. Camillo Christófaro e Eduardo Celidônio, carretera Chevrolet-Corvette n° 18, 201 voltas em 14h30min30s;
2. Mário César de Camargo Filho e Eduardo Scuracchio, Malzoni DKW nº 10, 201 voltas;
3. Jan Balder e Emerson Fittipaldi, Malzoni DKW nº 7, 201 voltas;
4. Norman Casari e Carlos Erimá, Malzoni DKW n° 4, 200 voltas;
5. José Carlos Pace e Antônio Carlos Porto Filho, Karmann-Ghia-Porsche n° 2, 200 voltas;
6. Jaime Silva e José Fernando ‘Toco’ Martins, carretera Simca n°. 26, 195 voltas;
7. Luiz Pereira Bueno e Luiz Fernando Terra Smith, Alpine n° 47, 195 voltas;
8. Wilson Fittipaldi Jr e Ludovino Perez Jr., Karmann-Ghia-Porsche n° 77, 192 voltas.

Por: Ricardo Varolli - RA: A1636D-5
Grupo: "Autódromo de Interlagos"



"Não chora, garoto, vocês fizeram uma grande prova",
disse Cledonio a Emerson
Foto: Reprodução

segunda-feira, 28 de maio de 2012

LIBERDADE DE COMUNICAÇÃO: BREVE ANÁLISE SEMIÓTICA DAS PUBLICAÇÕES POLÍTICAS DA VEJA E DA CARTA CAPITAL SOBRE O GOVERNO DILMA E SUAS IMPLICAÇÕES

Foto: Fellipe Iane
O presente trabalho pretende abordar a Semiótica aplicada à comunicação. A Semiótica, que vem do grego semeion e significa “ciência dos sinais”, estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas de significação. Mais abrangente que a linguística, a qual se restringe ao estudo dos signos linguísticos, esta ciência tem por sistema: artes visuais, música, fotografia, cinema, culinária, vestuário, gestos, religião, ciência, etc.

Com o crescente entusiasmo na área da comunicação e suas vertentes na internet, muitas pessoas começaram a divulgar seus trabalhos diretamente para o público, sem filtros dos meios tradicionais de comunicação. Jornalistas que trabalham como freelancercomeçaram a montar blogs e divulgar seu trabalho paralelamente. Pensemos que todas essas ferramentas permitem maior diversidade nas opiniões, que saem, então, do ambiente de regras e interesses para serem colocadas claramente, sem os freios que os “profissionais” ou os interesses de empresas exigiriam.

Isso teve grande impacto na sociedade. Qualquer um que consiga atrair a atenção pelo seu site, blog ou canal do Youtube fica famoso. Assim, pode se manifestara respeito do que quiser e como quiser, e a mensagem chegará a uma enorme quantidade de leitores.

Por outro lado, a Política, que sempre antes foi assunto apenas de alguns intelectuaisno Brasil, se popularizou bastante de tempos para cá e ganhou certa constância. Hoje, a maioria da população mantém uma opinião formada a respeito de determinado político ou partido, situação potencializada pela crescente bancada religiosa dentro do Congresso. A mudança comportamental é importante para a ascensão de um governo e futuro de um país, mas, ao mesmo tempo, temos que analisar o conteúdo da informação que é veiculada e verificar até que ponto toda essa facilidade de circulação engloba alto teor de veracidade ou se simplesmente não trazem solução.

Para abordar a complexidade dessas informações, foram escolhidas duas revistas,a“Veja” e a “Carta Capital”, em matérias que abordem o governo Dilma, com a finalidade de buscar falhas ou persuasões que passam despercebidas e influenciam o publico leitor nas suas opiniões. Sabemos que a utilização de meios gráficos para atrair o público e a ambiguidade dos textos também são uma problemática na compreensão. Com o estudo da Semiótica,analisaremos todas essas ferramentas de textos e linguagem para trazer à tona as contrariedades entre ambas as revistas.

A função do jornalista vai além do que meramente informar. Seu trabalho consiste na transliteração: adequação de linguagem, traduzindo termos técnicos em notícias simples para que o leitor, mesmo não tendo um conhecimento profundo do assunto, possa compreender do que se trata.

Outra função do jornalista é contextualizar essas informações para seu público e ainda refletir com ele suas implicações. Há uma grande diferença entre o jornalista que informa, por exemplo, "Dilma foi eleita presidente da República" e o que procura refletir o que isso significa para nosso país. Há, no jornalismo, um engajamento que prima por promover bens noticiosos de utilidade pública e isso vai além de informar: consiste em comparar, alertar, prevenir, explicar, etc.

As opiniões opostas, ou versões de verdades, costumam entrar em um sério problema filosófico: O que é verdade?Esta qualificação implica o imaginário, a realidade e a ficção, questões centrais tanto em Antropologia Cultural, Artes, Filosofia e a própria Razão. Como não há consenso entre filósofos e acadêmicos, várias teorias e visões acerca da verdade existem e continuam sendo debatidas.

Para Nietzsche, por exemplo, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque não se pode alcançar uma certeza sobre a definição do oposto da mentira. Daí seu texto "Como filosofar com o martelo".

Quando jornalistas trabalham com os fatos a seu favor, temos que analisar com cuidado a maneira como esses fatos são expostos, a sua ética e todas as questões morais envolvidas, não esquecendo que por trás dele pode existir um meio de comunicação ou um “achismo”.

O Jornalismo não pode ser somente técnica, aprender a escrever e usar as ferramentas certas, precisa ser estudado conceitualmente com bases em fundamentação que sai do senso comum.O discurso jornalístico busca,a priori, atingir a neutralidade, mas esta teoria não é aplicável na enorme maioria dos casos.

Assim, nenhum discurso é isento, pois “ nosso acesso ao real é sempre mediado, dado numa outra dimensão que não a dele, dado na ordem simbólica”¹

1 - GOMES, Mayra Rodrigues. Jornalismo e Ciências da Linguagem. São Paulo: Edusp/Hackers, 2000, p.31.

Por: Fellipe Iane - RA: 776071-0
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